Enterocolite Necrosante - Registo Nacional dos Recém-nascidos de Muito Baixo Peso, 1996 - 2000

Authors

  • Gustavo Rocha
  • Gorett Silva
  • Daniel Virella
  • Hercília Guimarães
  • GRN - Recém-nascidos de Muito Baixo Peso

DOI:

https://doi.org/10.25754/pjp.2003.5082

Keywords:

enterocolite necrosante, recém-nascido de muito baixo peso, Registo Nacional dos Recém-nascido de Muito Baixo Peso.

Abstract

Introdução - A enterocolite necrosante (EN) é a patologia gastrintestinal adquirida mais preocupante no período neonatal. O Registo Nacional dos Recém-nascidos de Muito Baixo Peso [RNMBP, recém-nascidos (RN) com peso à nascença (PN) entre 500 e 1499g] inclui dados epidemiológicos relativos a esta entidade clínica, desde 1996.

Objectivos - Analisar a epidemiologia da EN nos RNMBP portugueses ao longo de cinco anos, a associação aos factores de risco conhecidos e a repercussão clínica dos casos mais graves.

Métodos - Seleccionaram-se da base de dados do Registo Nacional dos RNMBP de 1996-2000 os RN com diagnóstico de EN, classificada por graus de Bell. Utilizaram-se testes de proporções, de associação linear e o cálculo de riscos relativos (com intervalos de confiança de 95%).
Resultados - Nesta série de 4355 RN, o diagnóstico de EN foi efectuado em 437 (10%). O diagnóstico de EN graus II e III de Bell (EN confirmada) foi feito em 191 (4,4%) RN. Verificou-se uma diminuição temporal da incidência, com significância estatística (associação linear; p = 0,03), particularmente na EN perfurada (grau IIIB). Verificámos associação significativa do aparecimento de EN confirmada com alguns dos factores de risco descritos: idade gestacional abaixo de 30 semanas, PN abaixo de 1000g, colocação de catéter arterial umbilical e uso de indometacina. Foram submetidos a cirurgia abdominal 78 RN (40,8% do total de RN com diagnóstico de EN grau II ou superior). A letalidade nos RN com EN perfurada (grau IIIB) foi de 64,3% quando não submetidos a cirurgia e de 29,5% quando operados (RR 0,46; 0,29-0,74). A EN foi uma causa de morte importante (7,7% dos óbitos): 1,7% dos RNMBP e de 2,6% dos RN de extremo baixo peso (EBP, PN < 1000g). A letalidade da EN foi elevada, tendo falecido 30,9% dos casos de EN grau II ou superior. Quando ocorreu perfuração intestinal (EN grau MB), a letalidade global atingiu 40,4%. Não se verificou diferença estatisticamente significativa na letalidade por EN nos RN com PN maior ou menor de 1000g.

Comentários - Os dados do Registo Nacional dos RNMBP diferem dos encontrados na literatura apenas na diminuição temporal da incidência de EN nesta população. Os nossos dados referem-se a RNMBP tratados em unidades de nível II e III. A inclusão de novas unidades no Registo Nacional dos RNMBP ao longo do período do estudo, a par da melhoria dos cuidados perinatais, pode ser responsável por esta diferença.

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