Cuidados não parentais a crianças com idade inferior a três anos: revisão baseada na evidência
DOI:
https://doi.org/10.25754/pjp.2014.3299Keywords:
Cuidados da criança, Creche, Criança pré-escolar, Lactente, Desenvolvimento da linguagem, CogniçãoAbstract
Introdução: A rápida e massiva ingressão da mulher no mercado de trabalho associou-se a um aumento na dependência de cuidados não parentais (CNP) das crianças, em idades cada vez mais jovens.
Objetivo: Rever a evidência sobre o efeito no desenvolvimento cognitivo e da linguagem dos CNP a crianças com menos de 3 anos de idade.
Métodos: Foi realizada uma pesquisa de estudos originais, normas de orientação clínica, revisões sistemáticas e meta-análises, nas fontes de dados: National Guideline Clearinghouse, Guidelines Finder, Canadian Medical Association Practice Guidelines, Cochrane, DARE, Bandolier, Medline, PsycInfo e Índex de Revistas Médicas Portuguesas, publicados entre 1975 e 2012, nas línguas portuguesa, inglesa, francesa e espanhola e utilizando os termos MeSH: child day care center, infant, cognition e language development. Foi utilizada a escala Strength of Recommendation Taxonomy (SORT) para atribuição dos níveis de evidência (NE).
Resultados: Obtiveram-se 89 artigos, tendo 3 estudos prospectivos preenchido os critérios de inclusão. O Early Child Care Research Network concluiu que os CNP numa creche associaram-se a melhores resultados no desenvolvimento cognitivo e da linguagem do que nos outros tipos de cuidados, como no domicílio (NE1). Segundo Broberg, mais tempo sob CNP conferia níveis mais elevados nos testes de capacidade verbal e matemática aos 8 anos (NE2) e segundo Andersson, melhor desempenho escolar aos 8 e 13 anos e melhor adaptação escolar aos 8 anos (NE2).
Discussão: Os CNP até aos 3 anos poderão ser benéficos a nível do desenvolvimento cognitivo e da linguagem, traduzindo-se possivelmente num melhor desempenho escolar (SORT B).